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Surdos de Goianésia são acompanhados por intérpretes da prefeitura em consultas médicas e entrevistas de empregos

Primeira-dama Eloá Menezes prestigiando o presidente da Associação dos Surdos de Goianésia, Marcivaldo Silva, que está acompanhado de sua família.

Até pouco tempo atrás os surdos de Goianésia viviam exilados em suas próprias casas. Confinados num mundo sem comunicação com outras pessoas, além de parentes próximos. Escola e trabalho eram utopias distantes para a esmagadora maioria. Eram estrangeiros em sua própria terra, olhados como pessoas incapazes.

Essa realidade começou a mudar com a criação, em abril de 2021, da Central de Apoio aos Surdos (CAD), por obra da primeira-dama Eloá Menezes, com total respaldo do prefeito Leonardo Menezes. Eles contaram com outra sonhadora da causa, a educadora Dulce Ananias, que já desenvolvia um projeto de inclusão na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, a Pastoral do Surdo.

A união dos sonhos já resulta em frutos. Pode ser traduzida em dignidade a mais de 60 pessoas, que não nasceram com o dom de ouvir e falar. Pessoas que sempre ficaram à margem, impedidas de desenvolverem seu potencial.

A realidade mudou. Quem conta melhor a história da mudança é o presidente da Associação dos Surdos de Goianésia, Marcivaldo Silva dos Anjos. Em fala em libras e é traduzido por Dulce Ananias e Letícia Mendes, intérpretes da Central.

OS SURDOS CONTAM A PRÓPRIA HISTÓRIA

“A nossa vida passou a ser diferente. Agora temos um intérprete que nos acompanha em hospitais, bancos, órgãos como Vapt-Vupt. Perdíamos muitas coisas importantes por causa dessa falha na comunicação. Agora até os vídeos e eventos da prefeitura são interpretados em libras. Estamos por dentro de tudo que acontece”, conta o rapaz, que trabalha como pedreiro.

Quem também faz questão de dar seu testemunho é a designer de modas Lays Godoy de Oliveira, também surda e que teve a vida facilitada com a implantação da Central de Apoio aos Surdos. “É um trabalho maravilhoso, agradeço muito. É a primeira vez que somos vistos”, conta.

Lays, quando criança, morou em diversas cidades, entre elas São Paulo, onde teve acesso a educação inclusiva. Quando chegou a Goianésia para cursar o ensino médio, enfrentou algumas dificuldades. Na faculdade de Moda, em Jaraguá, também teve que enfrentar o sistema para ter seus direitos garantidos e conseguir se formar.

DIGNIDADE AGORA É ROTINA

Dulce Ananias, coordenadora da CAS, explica como é desenvolvido o projeto. “A Eloá tem verdadeira paixão por inclusão social. E montou um time que veste a camisa. Hoje, os surdos de Goianésia têm com quem contar. Aqui, fornecemos intérprete para acompanha-los em entrevistas de empregos, em visita a bancos, a órgãos públicos e, principalmente em consultas e exames médicos”, conta.

A secretária da Mulher, Família e Direitos Humanos, Eloá Menezes, com brilho nos olhos, ressalta que o melhor ainda está por vir. “Estamos criando a escola bilíngue, que funcionará em uma sala da escola Luiz de Oliveira, com ensino híbrido: português e libras, algo que ainda vai crescer bastante e mudar a vida de mais pessoas”, anuncia.

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