EM GOIANÉSIA
30 de maio de 2017

A incrível mulher de 111 anos de idade

Goianésia, no Vale do São Patrício, tem, possivelmente a mulher mais idosa de Goiás. Isolina Ana de Jesus, uma senhora miudinha, com aspecto frágil e delicado, soprou no dia 14 de maio, de forma simbólica as 111 velinhas, ao lado da família. Isso mesmo: 111 anos de vida!

Medindo não mais que 1 metro e 40 centímetros e pesando não mais que uns 40 quilos, ela se veste de modo simples e franciscano. Tem um dente de ouro na boca, colocado num tempo em que o sorriso brilhoso era sinal de prestígio e padrão de estética. Isolina nasceu no dia 14 de maio de 1906 na cidade de Formiga (MG). Tudo devidamente comprovado em seus documentos.

Desembarcou em Goianésia, segundo seu relato, há mais de 60 anos. “Quando cheguei aqui tudo era mato, não tinha nada. Agora tem esta cidade bonita. Antigamente só havia umas casinhas ruins e muito mato”, lembra.

“Tenho a memória muito boa. Melhor que a de muita gente nova. Lembro de coisas que aconteceram comigo quando eu tinha 3 anos de vida”, conta.

Não é apenas a memória de Isolina que está intacta. Seu corpo, apesar de pequeno e muito magro, resiste bravamente à ação corrosiva do tempo. Escuta sem grandes problemas, enxerga bem, anda sem dificuldades e não sossega pra nada. “Não gosto de ficar à toa. Quando vejo um mato fico com vontade de pegar uma enxada e ir lá capinar”, conta a mulher, que mora sozinha numa casa rosa simples, ao lado de dois cães e alguns periquitos.

Ela não se entrega. Varre a casa e o quintal, limpa o chão vermelho, cuida das vasilhas e alimenta os animais. E ainda prepara sua própria comida. “Mas quase não sou de comer. Gosto mais é de pão de queijo, bolo, banana, laranja”, lista o cardápio.

VIDA DE FÉ

Isolina é uma mulher de muita fé. Evangélica da Igreja Assembleia de Deus há mais de trinta anos, segundo suas contas, ela lamenta o fato de não ir aos cultos com a frequência que gostaria. “Atualmente só vou à igreja quando alguém me leva de carro. Mas vou até na garupa de bicicleta”, garante.

Ela conta que o encontro com a fé mudou sua vida. “Eu bebia muito, dava trabalho aos outros, deitava na rua. Mas Jesus me salvou”, relata.

SOFRIMENTO

“Tive apenas cinco filhos”, declara Isolina, considerando a prole bem modesta face às colegas que tinham até mais de uma dúzia de filhos. Dos cinco apenas dois estão vivos. O marido, com a qual casou aos 18 anos, também já habita o mundo dos mortos.

Sobre o companheiro, a viúva não guarda boas recordações. “Ele judiava demais de mim. Não me matou porque Deus me guardou”, entrega. “Tentava me matar de faca, de revólver, de tudo que é jeito”.

“Mas eu tinha muito amor nele. Ele que tinha raiva de mim”, disse. Ela atribui as agressões do marido a um feitiço e não à maldade dele. “Foi um trabalho que o pai de uma moça que queria casar com ele fez. Como ele me escolheu e não a ela, o homem fez uma macumba para que meu marido me tratasse mal”, acredita.

“Trabalhei muito na roça, fiz farinha, carreguei saco de mandioca na cabeça, capinei. Nunca rejeitei serviço. Minha vida foi dura”, explica.

A cumplicidade que Isolina tem com a vida parece ser imune até a bala. Quando tinha três anos de idade, ela conta, levou um tiro acidental nas costas. O revólver foi disparado, sem intenção, por um sanfoneiro amigo da família. A bala foi retirada com ferro quente e a menina se salvou para cumprir seu século de aventuras.

FELICIDADE

“Sou uma pessoa feliz. Minha única doença é a magreza. Quase não sinto dores. Tenho uma sorte boa que Deus me deu”, confessa Isolina, com entusiasmo. “Para mim tudo é bom, sou muito conformada com a vida que tenho. Se todas as pessoas fossem como eu a vida seria muito melhor”.

A longeva moradora de Goianésia, satisfeita com a vida que leva, tem, no entanto, um único pedido a Deus. “Não quero morrer em hospital. Só peço que Deus me dê uma boa morte”, afirma. “Alguém me disse que vou morrer igual a um passarinho”, finaliza Isolina, com a sabedoria que apenas os seres iluminados conseguem ter.

CURIOSIDADE

Em 31 de janeiro de 2013 morreu em Goianésia Lourença Maria de Jesus, com 112 anos. Ela detinha a marca de mulher mais velha de Goiás. Detalhe: tanto Lourença como Isolina têm Jesus no sobrenome. Mais que isso, a casa de Isolina está a quatro quarteirões de distância de onde morava Lourença. As duas eram amigas e frequentavam a mesma igreja: a Assembleia de Deus, localizada na Rua 33, no bairro São Cristóvão.